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Diablo 4: Lord of Hatred Review — A Blizzard acertou em cheio no ato final

Diablo 4: Lord of Hatred Review — A Blizzard acertou em cheio no ato final
9.0Nota Gamer Robot
Plataforma: PC, PS5, Xbox Series X|SGênero: Action RPGDesenvolvedor: Blizzard EntertainmentLançamento: 2026

A Diablo IV vivia numa posição desconfortável antes de Lord of Hatred chegar: a franquia nunca esteve tão bem de saúde, mas a primeira expansão, Vessel of Hatred, deixou um gosto amargo depois de um primeiro ato arrasador. Chegou a hora de a Blizzard provar que sabe fechar histórias — e ela provou.

Lord of Hatred não é só uma expansão competente. É o melhor argumento que a Blizzard tem para mostrar que ainda sabe fazer grandes jogos. O terceiro ato da Hatred Saga combina narrativa com peso emocional real, boss fights que vão virar lenda, duas classes com builds profundíssimas e um pacote de melhorias de qualidade de vida que já deveriam existir há mais tempo. Se você parou de jogar Diablo IV em algum momento do caminho, encontrou o motivo certo para voltar.

Skovos: o cenário mais aguardado da franquia finalmente chega

A história retoma logo após os eventos de Vessel of Hatred, onde Mephisto assumiu o corpo de Akarat — uma figura messiânica do universo Diablo. Usando a aparência bondosa de Akarat, seus truques manipuladores e uma série de falsos milagres, o Senhor do Ódio convenceu boa parte de Santuário de que é uma força do bem, capaz de purificar almas e terras. Até os guerreiros mais experientes caem na armadilha, desesperados por um mundo melhor. Você, O Andarilho, junto de Lorath e Neyrelle, viram párias — e o fato de sangue demoníaco correr nas suas veias não ajuda em nada.

É aí que a party embarca para as ilhas ancestrais de Skovos em busca de aliados e de uma arma capaz de derrubar Mephisto. Skovos é um lugar que a franquia tease desde Diablo II — berço da humanidade, lar das Amazonas e de uma ordem divina de oráculos. As expectativas eram estratosféricas, e o cenário entrega tudo isso e mais um pouco.

🎮 Destaque: O arquipélago inspirado no Mediterrâneo, com águas cristalinas, falésias em ruínas, vulcões ativos e templos colossais, é simplesmente o cenário mais bonito e significativo que Diablo IV já apresentou. Cada ângulo parece sagrado — o que torna a profanação de Mephisto ainda mais perturbadora.

Os inimigos refletem essa corrupção: Drowned reanimados emergem do mar em ondas contra as guardiãs Amazonas, criaturas corrompidas e golems emboscam nas florestas. Uma quebra bem-vinda do cardápio habitual de demônios genéricos — embora esses também apareçam bastante, como manda o figurino.

Gameplay: combate sólido e boss fights que entrarão para a história

O combate central de Diablo IV não mudou de forma drástica, mas isso é elogio, não crítica. A fórmula já era brutalmente satisfatória, e Lord of Hatred mantém esse nível alto. No modo Difícil, há uma fricção inicial honesta — você vai morrer algumas vezes até afiar o build — mas depois que engrena, até as maiores hordas viram picadinho.

O grande salto está nos boss fights. São, sem exagero, os confrontos mais estratégicos e exigentes da história da franquia. A Blizzard abraçou de vez a lógica dos raid encounters: posicionamento importa tanto quanto DPS. Um boss reage em milissegundos, tornando habilidades estacionárias completamente inúteis. Outros ficam invencíveis repetidamente, forçando o jogador a navegar um campo de batalha caótico e interagir com elementos específicos do cenário para avançar. Tem até um confronto que vai te deixar completamente impotente — e não dá para falar mais nada sem estragar tudo.

⚠️ Atenção: A segunda metade da campanha tem reviravoltas pesadas. Recomendo fortemente evitar spoilers e jogar de forma relativamente limpa. A experiência é muito mais impactante sem saber o que vem.

A narrativa demora um pouco para esquentar — alguns plot points nas primeiras horas ficam levemente subdesenvolvidos — mas o payoff é extraordinário. Para um jogo chamado Lord of Hatred, o que surpreende é a ênfase em amor, sacrifício e esperança duradoura. Pode soar suave demais para Diablo, mas a Blizzard explora esses temas pelos caminhos mais sombrios possíveis. Precisa de escuridão para valorizar a luz, e essa expansão entendeu isso melhor do que qualquer outra entrada da série.

Paladino e Bruxo: duas classes que mudam o meta completamente

Duas novas classes chegam com Lord of Hatred: o Paladino e o Bruxo. O Paladino cumpre muito bem a fantasia de poder do cavaleiro sagrado que os fãs esperavam há anos. Mas é o Bruxo que rouba o show.

Diferente do arquétipo tradicional de RPG — mago que faz pacto com demônio —, o Bruxo de Diablo IV caça e escraviza os demônios, forçando-os a servi-lo. A classe se divide em quatro archetypes: Legião, Vanguarda, Mastermind e Ritualista, cada um com estilo de jogo completamente diferente.

Comecei como um híbrido Ritualista-Legião — ficava para trás, invocava demônios e inundava o campo com fogo infernal. Divertidíssimo, mas depois de centenas de horas com Necromancer e Spiritborn, minha vontade de invocar estava satisfeita. Migrei para algo mais sombrio e ágil: sombras, furtividade, correntes que prendem inimigos e uma habilidade chamada Dark Prison. Mantive algumas invocações — criaturas semelhantes a Beholders e enxames de criaturas abissais — mas foquei em ataques diretos, debuffs pesados e controle de área. Quem joga ARPG há anos vai sentir que essa classe foi feita exatamente para escapar dos clichês do gênero.

A diversidade de builds que o Bruxo permite é impressionante, e isso se conecta diretamente com as melhorias na skill tree.

Skill tree renovada e aumento de level cap: mais profundidade, mais diversão

O level cap subiu de 60 para 70, e a árvore de habilidades recebeu uma reformulação que muda a dinâmica de construção de personagens. Antes, uma vez consolidado o build, eu ignorava ramos inteiros da skill tree que não me serviam. Agora, a possibilidade de transformar a afinidade de uma habilidade — converter uma ability de fogo infernal em uma de abismo, por exemplo — fez com que eu prestasse atenção em cada caminho e cada opção disponível.

Além disso, dá para investir até 15 pontos de habilidade em uma única ability, criando especializações muito mais profundas. A árvore ficou levemente mais condensada, mas paradoxalmente se sente mais ilimitada. O meta do jogo vai ser reformulado, e difícil não ficar animado para acompanhar isso acontecer.

📌 Info: Lord of Hatred está disponível no PC via Battle.net, PS5 pela PS Store e Xbox Series X|S pelo Xbox Game Pass (verifique disponibilidade na sua plataforma). O jogo base de Diablo IV também está no Game Pass, então se você assina o serviço, não tem desculpa para ficar de fora.

Endgame: War Plans e o Cubo Horárdrico resolvem problemas antigos

O conteúdo de endgame ganhou duas adições bem-vindas. Os War Plans permitem criar uma playlist de até cinco atividades — dungeons de pesadelo, pit dives e afins — tornando a experiência de conteúdo high-level muito mais fluida, especialmente para quem joga solo. Acabou aquela sensação de ficar perdido sobre o que fazer depois de terminar a campanha.

O sistema de upgrade do Cubo Horárdrico ataca um problema crônico de Diablo IV: a ênfase em quantidade de equipamentos em detrimento da qualidade. Agora você molda o gear às suas necessidades de forma muito mais efetiva. A interface confunde um pouco no início — existe uma curva de aprendizado —, mas depois que a lógica fica clara, é uma adição sólida ao loop de progressão.

Recurso Lord of Hatred Vessel of Hatred
Novas classes 2 (Paladino e Bruxo) 1 (Spiritborn)
Level cap 70 60
Novo continente Skovos Nahantu
Boss fights memoráveis Sim — raid-like Razoável
Novidade de endgame War Plans + Cubo Horárdrico Mercenários

Comparação com expansões do gênero

Para quem gosta de parâmetros: Lord of Hatred joga na mesma liga que Path of Exile 2 em termos de profundidade de build, e supera o que a maioria das expansões de ARPGs fez nos últimos anos em narrativa. Quem veio de Last Epoch buscando uma história mais densa vai se surpreender. Em relação ao próprio Diablo IV, esta expansão faz Vessel of Hatred parecer um aquecimento.

“Lord of Hatred transforma Diablo IV numa celebração coerente e surpreendentemente atual do espírito humano — um lembrete de que, mesmo contra odds impossíveis, nossa compaixão e resiliência fazem dos humanos uma força a ser respeitada.”

Impressão geral da expansão

✅ Prós
  • Melhor narrativa da história da franquia Diablo, com payoff emocional genuíno
  • Boss fights raid-like extremamente desafiadoras e memoráveis
  • Classe Bruxo com profundidade de build excepcional e quatro archetypes distintos
  • Skovos é o cenário mais rico e visualmente impressionante que Diablo IV já teve
  • Revisão da skill tree e level cap 70 renovam o meta do jogo de forma significativa
  • War Plans e Cubo Horárdrico resolvem problemas reais do endgame
❌ Contras
  • Primeiras horas da campanha demoram a engatar, com alguns plot points subdesenvolvidos
  • Interface do Cubo Horárdrico tem curva de aprendizado confusa no início
  • Jogadores saturados de builds de invocação podem sentir o Bruxo familiar demais em alguns archetypes
🎮 Veredicto: Lord of Hatred é exatamente o que Diablo IV precisava para selar seu legado. A Blizzard entregou o melhor ato final da Hatred Saga — narrativa que surpreende, boss fights que vão virar lenda na comunidade, duas classes que reformulam o meta e melhorias de qualidade de vida que chegaram na hora certa para o grand finale. Se você já jogou Diablo IV em algum momento, esta expansão é compra obrigatória. Se nunca jogou, este é o melhor momento para entrar de cabeça na franquia.
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